Museu Afro Brasil, nos seus 15 anos, celebra São Paulo: uma iconografia urbana

Mostra reúne mais de 500 itens históricos entre pinturas, fotografias, cartazes, objetos, vestimentas, recortes de jornais e revistas, mapas, brinquedos e porcelanas que traçam uma cronologia da cidade.


Oscar Pereira da Silva (1887-1939) Fundação de São Paulo óleo sobre tela Acervo Museu Paulista da USP


O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Museu Afro Brasil – organização social de cultura, abre no sábado, dia 6 de abril, às 11h, a exposição “Museu Afro Brasil, nos seus 15 anos, celebra São Paulo: uma iconografia urbana”, que destaca, a partir de uma série de elementos artísticos e culturais, a transformação da cidade de São Paulo de um povoado em megametrópole cosmopolita. Nela, o curador e diretor do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo reúne mais de 500 itens históricos entre pinturas, fotografias, cartazes, objetos, vestimentas, recortes de jornais e revistas, mapas, brinquedos e porcelanas que traçam uma cronologia da cidade.

“São Paulo é uma cidade-síntese, que resume em si toda a riqueza da diversidade étnica e cultural de nosso país, e que, por sua condição cosmopolita, não a isola da realidade do mundo globalizado em que vivemos. É aqui que todas as diferenças se encontram e se confrontam, que todas as sínteses se tornam possíveis, todos os choques visíveis, mais que em qualquer outra parte do país. Aqui é o lugar onde um Afro Brasil nos oferece o desafio de uma herança a resgatar”, ressalta Emanoel Araujo, curador da exposição e também fundador do Museu Afro Brasil, que comemora 15 anos de atividade em 2019.

A exposição está dividida em alguns núcleos: “São Paulo, uma metrópole industrial”, onde são exibidas placas de propaganda, louças, brinquedos, objetos de decoração, mobiliário do Liceu de Artes e Ofícios, embalagens de diversos produtos alimentícios, entre outros itens que indiciam tanto a indústria paulistana quanto sua relação com a economia mundial. Em “Belle Époque Paulistana”, o curador apresenta objetos ligados aos costumes dos anos 1920, destacando vestidos e croquis da Maison Marnah, da celebrada modista Madame Maria Adelaide da Silva, além adereços como bolsas, leques, artigos de beleza e dois raros tecidos da pintora e decoradora brasileira Regina Gomide Graz (1897-1973). O núcleo “Revolução Constitucionalista de 1932”, por sua vez, traz a público vasta iconografia que inclui mapas, esculturas em bronze, flâmulas, porcelanas, bandeiras que referenciam o movimento armado ocorrido entre julho e outubro de 1932, quando o estado de São Paulo entro em conflito com o governo de Getúlio Vargas.

O núcleo “Carnaval Paulistano” reúne reproduções e fotografias originais que resgatam a importância da presença negra na festa popular na cidade. “IV Centenário” é o núcleo de maior diversidade de suportes. Nele, filatelia, numismática, discos, copos, louças, bandejas, revistas, pôsteres e mapas rememoram as festividades e celebrações que marcaram a efeméride dos 400 anos da cidade no ano de 1954, data em que foi inaugurado o Parque Ibirapuera. 

Artes visuais, música e imprensa, aqui incluídos periódicos raros e frágeis, não ficam de fora das escolhas do curador, cada uma delas recebendo uma área específica dentro da exposição. A curadoria de artes visuais, contudo, dá ênfase aos artistas brasileiros participantes da 2ª Bienal de São Paulo, realizada entre 1953 e 1954, conhecida como a “Bienal da Guernica”, em referência à vinda da célebre obra “Guernica” (1937) de Pablo Picasso, exibida nas dependências do atual Museu Afro Brasil. São exibidas obras de: Aldemir Martins, Danilo Di Prete, Sanson Flexor, Manabu Mabe, Aldo Bonadei, Lothar Charoux, entre outros. 

Ao reunir esse vasto conjunto de itens preciosos, Emanoel Araújo ilustra a riqueza material e simbólica das transformações por que a passou a vila de São Paulo de Piratininga do século XVI ao posto de maior cidade da lusofonia e principal centro financeiro e mercantil do Hemisfério Sul. “Museu Afro Brasil, nos seus 15 anos, celebra São Paulo: uma iconografia urbana” conta, também, com uma extensa cronologia, exibida numa das paredes da mostra, que sinaliza os principais acontecimentos da cidade de São Paulo, auxiliando o visitante a desfrutar com rigor histórico essa memorável e superlativa exposição.